Pesados
29 janeiro 2026

Renault Trucks e Hugelshofer revelam potencial dos camiões elétricos

Mais de 1.000 quilómetros percorridos num único dia por um Renault Trucks E-Tech T, apesar de uma autonomia nominal de cerca de 300 km. O feito, alcançado pela transportadora suíça Hugelshofer Logistik, demonstra de forma clara que o desempenho real dos camiões elétricos resulta sobretudo de uma estratégia operacional integrada, e não apenas da capacidade da bateria.

“A questão central não é a autonomia máxima do camião, mas a forma como este é integrado nas operações de transporte. Ao otimizarmos as rotas e a estratégia de carregamento, conseguimos maximizar o tempo de operação diário dos nossos camiões elétricos, transformando-os em verdadeiros ativos industriais, totalmente alinhados com as exigências da nossa atividade”, explica Martin Lörtscher, CEO da Hugelshofer Logistik AG.

Organização logística ao serviço da eficiência elétrica

A Hugelshofer opera uma frota de cerca de 220 camiões, dos quais 80 são elétricos, mobilizados diariamente por 150 motoristas. Para maximizar o tempo útil de operação e otimizar o custo total de propriedade (TCO), a empresa recorre a equipas duplas nos Renault Trucks E-Tech T.

Os carregamentos intermédios são realizados durante as pausas regulamentares, enquanto o carregamento completo decorre durante a noite, no depósito. Esta abordagem permite que cada camião elétrico percorra, num dia típico, mais de 600 km, o dobro da autonomia nominal anunciada.

O caso mais emblemático é o de um Renault Trucks E-Tech T da frota que totalizou 1.007 km em apenas 24 horas. Um resultado que evidencia como uma operação intensiva é perfeitamente alcançável quando missão, área de operação e estratégia de carregamento estão bem definidas. Demonstra também a importância de dimensionar corretamente a bateria: em função do tipo de serviço, nem sempre é necessário optar pela capacidade máxima disponível, preservando-se assim a carga útil e a eficiência global do veículo. É neste contexto que a Renault Trucks trabalha em estreita colaboração com os clientes para definir a configuração mais adequada a cada realidade operacional.

Infraestrutura de carregamento como fator crítico

O desempenho dos Renault Trucks E-Tech T da Hugelshofer assenta numa infraestrutura de carregamento cuidadosamente planeada. Na unidade de Frauenfeld, a empresa instalou 30 postos de carregamento rápido, com potência máxima de 480 kW, capazes de servir até 100 camiões por dia.

Este ecossistema é complementado por um sistema fotovoltaico com produção anual de 1,2 milhões de kWh e por três transformadores que asseguram a estabilidade da rede elétrica. O resultado é claro: cerca de 95% dos carregamentos são efetuados no próprio depósito, garantindo controlo de custos, elevada fiabilidade operacional e um fluxo de trabalho diário sem ruturas.

Suíça, um ecossistema favorável à eletrificação pesada

Graças a esta combinação de estratégia operacional e enquadramento externo, a Hugelshofer Logistik regista custos operacionais cerca de 30% inferiores nos seus camiões elétricos face a modelos diesel comparáveis. Para além das opções internas da empresa, este desempenho beneficia de um contexto regulamentar suíço particularmente favorável à eletrificação dos pesados.

Na Suíça, os camiões de emissões zero usufruem de vantagens significativas na taxa rodoviária LSVA, tornando os veículos elétricos economicamente competitivos face às motorizações convencionais. Paralelamente, a Confederação anunciou um programa de investimento de 20 milhões de francos suíços, entre 2026 e 2030, destinado à expansão da infraestrutura de carregamento para camiões pesados.

Os resultados refletem-se no mercado: nos primeiros onze meses de 2025, a Suíça atingiu uma taxa de eletrificação de 14,7% nos veículos com mais de 16 toneladas, quase oito vezes superior à média europeia, situada nos 1,9%.

Para a Renault Trucks, a mobilidade elétrica constitui a principal alavanca para alcançar a descarbonização do transporte rodoviário de mercadorias. O exemplo suíço demonstra que a transição pode acelerar quando veículos, infraestrutura, organização operacional e políticas públicas evoluem em sintonia. Um modelo que outros países europeus dificilmente poderão ignorar se quiserem avançar para uma eletrificação em larga escala do transporte pesado.

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