Mitsubishi Outlander PHEV no ritmo do quotidiano
O Mitsubishi Outlander PHEV foi colocado à prova em utilização real: trânsito urbano, viagens em família, autoestrada, bagagem e uma deslocação até Braga. Foi neste cenário que este híbrido plug-in demonstrou como combina mobilidade elétrica, espaço, conforto e versatilidade no dia a dia.
O Outlander sempre foi pensado como um SUV capaz de responder a diferentes necessidades. Desde o início dos anos 2000 que a Mitsubishi associou o modelo à ideia de versatilidade e capacidade para sair dos percursos habituais. Com a chegada da tecnologia plug-in hybrid, essa filosofia ganhou uma nova dimensão, mantendo a tração integral e acrescentando a possibilidade de realizar boa parte das deslocações diárias em modo totalmente elétrico.
A atual geração mantém uma identidade própria dentro da gama Mitsubishi.
Na versão Noir Edition, a frente dominada pela grelha escurecida, os detalhes em preto e as jantes de 20 polegadas conferem-lhe uma imagem robusta sem recorrer a soluções excessivamente agressivas. A traseira, marcada pela assinatura luminosa em "T", completa um conjunto equilibrado que dificilmente passa de moda.
Não é um SUV que procure chamar a atenção. Transmite antes uma sensação de solidez que combina bem com a sua vocação familiar.

Um habitáculo pensado para viajar
É no interior que o Outlander deixa uma das melhores impressões.
Os materiais utilizados, os bancos em pele e o cuidado na montagem criam um ambiente confortável e bem construído. Os bancos dianteiros, com regulação elétrica, aquecimento e função de massagem, fazem diferença nas viagens mais longas, enquanto a posição de condução surge naturalmente desde os primeiros minutos.
O painel de instrumentos digital apresenta a informação de forma clara e o sistema multimédia garante compatibilidade com Apple CarPlay sem fios e Android Auto.
Menos conseguida é a rapidez de resposta da interface, que acusa já alguma distância face às soluções mais recentes do segmento.
Também os sistemas de assistência acabam por ser demasiado interventivos. Os avisos de velocidade sucedem-se com frequência e, ao fim de algum tempo, tornam-se mais fonte de distração do que uma verdadeira ajuda à condução.
Num SUV familiar, o espaço continua a ser um argumento decisivo.
A segunda fila oferece boa habitabilidade, permitindo viajar confortavelmente mesmo em percursos mais longos. A bagageira, com cerca de 495 litros, revelou-se suficiente para acomodar toda a bagagem necessária durante o ensaio, aumentando significativamente a capacidade quando os bancos traseiros são rebatidos.
É um automóvel pensado para simplificar a logística familiar, e isso sente-se na facilidade de utilização diária.

Um híbrido que sabe escolher
O sistema híbrido continua a ser um dos principais argumentos do Outlander.
O motor a gasolina de 2,4 litros trabalha em conjunto com dois motores elétricos, um por eixo, disponibilizando tração integral e uma potência combinada de 252 cv.
Mais importante do que os números é a forma como tudo acontece.
As transições entre funcionamento elétrico, híbrido e térmico são praticamente impercetíveis, permitindo que a condução decorra sempre de forma muito fluida.
A bateria de 22,7 kWh possibilita autonomias próximas dos 80 quilómetros em modo elétrico, suficientes para a maioria das deslocações diárias sem recorrer ao motor de combustão.
Os sete modos de condução permitem adaptar facilmente o comportamento do automóvel às diferentes condições de piso, reforçando a versatilidade que sempre caracterizou o Outlander.
Em estrada, o Outlander assume claramente as suas prioridades.
A suspensão privilegia o conforto e absorve eficazmente as irregularidades do piso, enquanto a direção leve torna a condução descontraída, sobretudo em cidade.
A aceleração beneficia da resposta imediata dos motores elétricos, embora, em ritmos mais elevados, o motor térmico se faça notar com maior intensidade.
Foi precisamente durante a viagem até Braga que estas características ganharam maior evidência. Entre autoestrada, trânsito urbano e os inevitáveis constrangimentos próprios da Semana Santa, o Outlander manteve sempre uma condução previsível e confortável, transmitindo confiança independentemente do tipo de percurso.

Eficiência sem complicações
Em utilização real, o consumo depende naturalmente do estado da bateria e do percurso realizado.
Com carga disponível, grande parte das deslocações diárias pode ser feita em modo elétrico. Quando o motor térmico entra em funcionamento, os consumos mantêm-se dentro de valores perfeitamente aceitáveis para um SUV desta dimensão.
O carregamento completo em corrente alternada demora cerca de seis horas, enquanto em corrente contínua é possível recuperar 80% da bateria em pouco mais de meia hora.
A possibilidade de utilizar o próprio motor de combustão para aumentar o nível de carga continua igualmente a ser uma solução útil quando não existe acesso imediato a um posto de carregamento.

Teste com alma
Ao longo deste ensaio, o Mitsubishi Outlander PHEV confirmou aquilo que a sua ficha técnica já deixava antever.
Não procura impressionar pelo desempenho nem pela exuberância tecnológica. Convence pela facilidade com que se adapta à rotina de quem precisa de um automóvel espaçoso, confortável e suficientemente eficiente para reduzir a utilização diária do motor de combustão.
O sistema multimédia poderia ser mais rápido e alguns assistentes de condução revelam excesso de zelo. São aspetos que merecem evolução, mas que não alteram o essencial.
Depois de vários dias de utilização, fica sobretudo a sensação de coerência.
O Outlander faz exatamente aquilo que promete. E, quando um automóvel consegue integrar-se no quotidiano quase sem dar por ele, dificilmente precisa de argumentos mais fortes.

