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Isuzu D-Max EV

20 julho 2026

A Isuzu D-Max EV chega ao mercado sem abdicar daquilo que define uma verdadeira pick-up: mais de uma tonelada de carga útil, 3,5 toneladas de capacidade de reboque e aptidão para o trabalho. A eletrificação surge aqui como uma evolução da função, e não como uma rutura.

A eletrificação chegou praticamente a todos os segmentos do automóvel. Nas pick-up, porém, o desafio continua a ser diferente. Aqui, autonomia, potência ou tecnologia pouco significam se o veículo perder aquilo que verdadeiramente o define: capacidade de carga, aptidão para o reboque e robustez para enfrentar dias consecutivos de trabalho. Foi precisamente por aí que a Isuzu começou. Em vez de reinventar a D-Max, procurou eletrificá-la sem alterar a sua essência.

A D-Max EV chega ao mercado com uma proposta pouco comum. Mantém a carga útil superior a uma tonelada, conserva a capacidade de reboque de 3,5 toneladas e preserva a arquitetura de chassis de longarinas que sempre caracterizou o modelo. A mudança acontece debaixo da carroçaria, onde o tradicional motor Diesel dá lugar a um sistema elétrico composto por dois motores, um em cada eixo, alimentados por uma bateria de 66,9 kWh.

Com uma potência combinada próxima dos 200 cv e 348 Nm de binário, a D-Max EV não pretende impressionar pelos números. O que marca a diferença é a forma como essa potência chega às rodas. A resposta é imediata, progressiva e particularmente previsível quando o veículo circula carregado, precisamente onde uma pick-up passa grande parte da sua vida útil.

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Engenharia ao serviço da função

A grande novidade técnica não está apenas na motorização elétrica. Está também na suspensão traseira, completamente redesenhada para substituir as tradicionais molas de lâminas por um sistema mais sofisticado, capaz de acomodar o peso adicional da bateria sem comprometer a capacidade de trabalho.

O resultado traduz-se numa condução mais equilibrada, sobretudo quando o veículo circula sem carga, mantendo ao mesmo tempo as características que fazem da D-Max uma ferramenta de trabalho. Num segmento onde a eletrificação obriga frequentemente a reduzir carga útil ou capacidade de reboque, a Isuzu seguiu um caminho diferente: preservar aquilo que realmente interessa a quem utiliza diariamente uma pick-up.

A autonomia segue a mesma filosofia. Os cerca de 263 quilómetros em ciclo combinado WLTP — que podem aproximar-se dos 360 quilómetros em utilização urbana — não procuram estabelecer recordes. Correspondem antes às necessidades da maioria das operações diárias desenvolvidas por empresas, municípios ou prestadores de serviços que regressam à base no final de cada jornada.

A opção por uma bateria de capacidade moderada também faz sentido neste contexto. Permite limitar o peso total do conjunto, melhorar a eficiência quando o veículo circula carregado e preservar as capacidades que continuam a definir este tipo de veículo.

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Carregar para voltar ao trabalho

Também no carregamento a Isuzu privilegiou a lógica operacional em detrimento dos números de catálogo. A D-Max EV suporta até 50 kW em corrente contínua e 11 kW em corrente alternada trifásica.

À primeira vista, estes valores podem parecer modestos quando comparados com alguns automóveis elétricos de passageiros. No entanto, o enquadramento é diferente. Para uma frota profissional, onde os veículos regressam diariamente às instalações da empresa, o carregamento durante a noite continua a ser a solução mais prática e económica.

Esta abordagem reduz igualmente o esforço térmico sobre a bateria e contribui para uma maior durabilidade do sistema, um fator relevante quando se analisa o custo total de propriedade ao longo dos anos.

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Uma condução diferente, mas familiar

É ao volante que a eletrificação mais se faz sentir.

O desaparecimento quase total do ruído mecânico transforma a experiência de condução. A resposta ao acelerador é imediata, sem interrupções nem hesitações, permitindo controlar melhor o esforço do veículo, sobretudo quando transporta carga ou reboca equipamentos.

Os cerca de 10 segundos necessários para acelerar dos 0 aos 100 km/h acabam por ter pouca relevância prática. Mais importante é a disponibilidade permanente do binário e a facilidade com que a D-Max EV ganha velocidade sem necessidade de qualquer esforço adicional.

A nova suspensão também contribui para uma evolução evidente do comportamento. Em vazio, uma situação tradicionalmente menos confortável nas pick-up, o eixo traseiro revela-se mais estável, absorvendo melhor as irregularidades do piso e reduzindo os habituais ressaltos que caracterizam este tipo de veículos.

Continua a ser uma verdadeira D-Max

Fora de estrada, a identidade do modelo permanece praticamente intacta.

A tração integral permanente, a altura ao solo, a capacidade de atravessar cursos de água e os diferentes sistemas eletrónicos de gestão da motricidade mantêm a D-Max preparada para enfrentar pisos difíceis com a mesma naturalidade que sempre demonstrou.

A eletrificação não lhe retirou robustez nem capacidade de trabalho. Pelo contrário, acrescentou silêncio, suavidade e uma entrega de potência mais progressiva, sem alterar aquilo que os profissionais esperam encontrar numa pick-up desta natureza.

Ao longo do contacto dinâmico, a sensação é precisamente essa: continua a conduzir-se como uma D-Max, apenas com uma forma diferente de entregar energia às rodas.

O custo da transição

O preço, situado na ordem dos 70 mil euros antes de impostos, representa inevitavelmente um investimento superior ao das versões Diesel.

Contudo, esta diferença não pode ser analisada apenas pelo valor de aquisição. Para empresas e gestores de frota, entram igualmente na equação os benefícios fiscais, a redução dos custos de utilização e manutenção e um enquadramento regulamentar cada vez mais favorável aos veículos de emissões zero.

É por isso que a D-Max EV deve ser vista para além do preço. Não pretende substituir todas as pick-up Diesel nem responder a todas as operações. Existem utilizações intensivas, sobretudo em longas distâncias, onde a autonomia continuará a ser um fator limitador.

Mas demonstra algo particularmente importante para o setor: é possível eletrificar uma pick-up sem sacrificar a sua capacidade de carga, a aptidão para o reboque ou a robustez estrutural.

Mais do que lançar uma nova motorização, a Isuzu procurou validar um conceito. Em vez de adaptar uma pick-up às exigências da eletrificação, adaptou a eletrificação às exigências de uma pick-up.

E essa talvez seja a maior qualidade da D-Max EV. Não tenta reinventar um veículo que sempre foi uma ferramenta de trabalho. Limita-se a fazê-lo desempenhar a mesma função de forma mais silenciosa, mais eficiente e preparada para um novo contexto energético. É uma evolução discreta, mas profundamente coerente com aquilo que este segmento continua a exigir.


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