
A nova edição surge como um verdadeiro barómetro estratégico do mercado: analisa, questiona e projeta o futuro numa altura em que a descarbonização acelera, a pressão regulatória aperta e a inovação tecnológica redefine as regras do jogo.
Mais do que apresentar novidades, esta é uma leitura essencial para quem decide, investe e lidera no transporte profissional. Porque o setor não está apenas a evoluir, está a reinventar-se.
A capa é, desde logo, um statement industrial. O Scania Super simboliza a maturidade técnica do diesel otimizado, provando que eficiência e robustez continuam a ser argumentos centrais no transporte pesado de longo curso. Não é apenas uma evolução mecânica; é um compromisso com redução de consumo, previsibilidade de custos e fiabilidade operacional num contexto de margens cada vez mais exigentes.
Ao seu lado, os DAF XG e DAF XG+ Electric traduzem a nova geração de camiões europeus moldados por regulamentação mais flexível em dimensões e por uma obsessão aerodinâmica que se converte diretamente em eficiência. Na versão elétrica, o silêncio deixa de ser detalhe e torna-se argumento estratégico: menos ruído, menos emissões locais, maior aceitação urbana e novos modelos de operação logística.
A visão de longo prazo surge corporizada no Mercedes-Benz NextGenH2, onde o hidrogénio é encarado não como promessa distante, mas como hipótese estrutural para o transporte pesado de grande autonomia. Num setor onde o tempo de reabastecimento e a capacidade de carga são determinantes, a célula de combustível posiciona-se como peça de um puzzle energético que dificilmente terá solução única.
Mas a transformação não se faz apenas no pesado. O Renault 4 E-Tech Van recupera um nome histórico para responder às exigências da última milha elétrica, combinando herança emocional com racionalidade urbana. O Hyundai Staria redefine o conceito de transporte de passageiros e serviços premium, enquanto a Mercedes-Benz eSprinter consolida a maturidade do furgão elétrico em operações reais.
Contudo, esta edição não vive apenas de produto. A análise ao mercado de vendas de 2025 revela um setor resiliente, mas sob tensão estrutural. A eletrificação avança, embora de forma assimétrica entre segmentos e geografias. O pesado mantém o diesel como espinha dorsal, agora mais eficiente e tecnologicamente sofisticado, enquanto o ligeiro acelera na adoção elétrica, impulsionado por restrições urbanas e incentivos. A questão já não é se a transição acontece, mas em que ritmo e com que enquadramento regulatório.

E, no centro de tudo, permanece o fator humano. A escassez de motoristas tornou-se um dos maiores riscos sistémicos do transporte europeu. O envelhecimento da profissão, a exigência física e psicológica, as longas ausências e a insuficiente valorização social criaram um desequilíbrio que afeta cadeias de abastecimento inteiras. Resolver este problema exige mais do que campanhas de recrutamento: implica melhores condições, formação contínua, reconhecimento e infraestruturas adequadas.

É aqui que a questão das áreas de descanso assume dimensão estratégica. Segurança, higiene, conforto e conectividade não são concessões; são pilares de produtividade e dignidade profissional. Um setor que depende de milhares de quilómetros percorridos diariamente não pode negligenciar o bem-estar de quem os conduz.
A transformação digital surge como outro eixo central. O e-CMR representa muito mais do que a simples substituição do papel por um ficheiro eletrónico. Significa interoperabilidade, rastreabilidade em tempo real, integração com sistemas de gestão e redução de erro administrativo. É um passo decisivo na construção de uma cadeia de abastecimento europeia verdadeiramente integrada, onde dados e mercadorias circulam com a mesma fluidez.
Também na segurança rodoviária se vive um momento de viragem. O dispositivo luminoso V16 simboliza a evolução da sinalização tradicional para soluções conectadas e tecnologicamente avançadas, aumentando visibilidade, rapidez de atuação e proteção em contexto de avaria ou acidente.

Como habitual, a reflexão ganha profundidade nas rubricas especializadas. António Macedo, no seu Consultório de Segurança, analisa o problema dos profissionais que necessitam de circular fora de estrada com viaturas 4X4 ou AWD e Filipe Carvalho, em Tecnologias de Informação, reflete como as empresas portuguesas podem proteger as exportações para os Estados Unidos através do recurso à inteligência artificial.
Num ano determinante para o setor, marcado por novos produtos, desafios estruturais e transição energética acelerada, esta revista oferece contexto, dados e perspetiva para profissionais que precisam de compreender o presente para agir com segurança no futuro.