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Escassez de motoristas sobe 41% na Europa em 2021

07 setembro 2022
5min.

Um relatório da IRU (International World Transport Union) revela que ficaram 425 mil vagas de camionistas por preencher na Europa no ano passado. O número deve continuar a subir até ao final deste ano.

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De acordo com as conclusões do relatório, em 2021, a procura excedeu a oferta nas economias europeias. Isto teve um forte efeito em toda a cadeia de abastecimento e, em particular, no transporte. Os custos do gasóleo também aumentaram acentuadamente, pelo que se tornaram o principal motor do aumento dos custos de transporte para as transportadoras.

"Os custos [dos combustíveis] representam um terço do total dos custos de transporte operacional, mas dado o aumento, podem agora representar 50% dos custos", alerta o estudo. Os aumentos salariais devido à crescente escassez de motoristas foram outro fator-chave para o aumento dos custos operacionais dos transportadores.

 Os aumentos salariais variam de país para país. Como aponta o estudo, enquanto em França, em 2022, se prevê um aumento de 4,5%-7,2%,já no Reino Unido, o panorama mudou, com algumas empresas a oferecerem aumentos salariais até 15% para reter os condutores.

O relatório mostra ainda que as receitas do sector europeu do transporte rodoviário de mercadorias em 2021 ficaram abaixo (cerca de 5% em 2021) dos níveis pré-pandemia. Apesar de, após uma queda de 6,8% em 2020, as receitas provenientes do transporte pesado de mercadorias aumentaram 2,4% em 2021, continuando a recuperação iniciada no segundo semestre de 2020. De acordo com a IRU, os programas de apoio económico e empresarial implementados pelos governos europeus impediram a onda de falências temida pelo setor dos transportes. No entanto, os autores preveem que em 2022 as receitas desçam 0,4% por ano. A razão do declínio é principalmente a falta de condutores, o que limita o crescimento da indústria.

Escassez de motoristas sobe 41%

Em 2021, o número de vagas de motoristas de camiões na Europa aumentou 41% em relação a 2020, segundo o estudo. Este foi o resultado do aumento da procura de transportes, bem como do envelhecimento da população de camionistas. Os autores do relatório esperam que a falta de pessoal nos transportes se agrave em 2022, estimando-se um aumento de 40% nas vagas por preencher na condução de pesados de mercadorias. Vale a pena notar que as maiores carências de condutores (em números absolutos) foram observadas no Reino Unido (80.000-100.000), na Polónia (80.000), na Roménia (71.000) e na Alemanha (57-80.000) em 2021.

Quanto à percentagem de vagas de motorista de pesados de mercadorias em comparação com o número total de motoristas empregados, a situação mais difícil é na Roménia, onde o número foi de 19%. Na Polónia, esta percentagem é de 11%, com a Grã-Bretanha nos 9,7%, e na Alemanha "apenas" nos 9%.

A profissão de motorista está a envelhecer

Além disso, o relatório salienta que há menos de 7% dos camionistas na Europa com menos de 25 anos. A Holanda tem os condutores mais jovens (13%), com o Reino Unido a ter menos (2,2%). A idade média dos condutores de pesados de mercadorias na Europa em 2021 era de 47 anos.

O relatório refere duas razões principais para o envelhecimento da profissão. Uma das razões é o facto de não ser atrativa para os jovens há já algum tempo.

A outra razão é a dificuldade de acesso, porque em alguns países a idade mínima exigida para começar a aprender a conduzir um pesado de mercadorias é de 21 anos. "Isto significa que os jovens têm de esperar pelo menos três anos entre o final dos seus estudos e o momento em que se tornam camionistas", explica o relatório.

O IRU diz que, dada a elevada taxa de desemprego dos jovens em algumas regiões, deveria ser fácil atrair mais condutores atrás do volante – se os regulamentos o permitissem.

"A percentagem de jovens condutores é demasiado baixa para substituir a quantidade significativa de camionistas que se vai reformar nos próximos 10 anos", alerta a IRU. "Esperam-se maiores carências nos próximos anos se não forem tomadas medidas para atrair mais motoristas."

Melhorar as condições de trabalho é uma obrigação

De acordo com o relatório, o aumento dos salários dos motoristas em 2021 em alguns países europeus não parece ter sido eficaz na melhoria da situação, atraindo mais pessoas para a profissão. Isto pode confirmar a afirmação do sector de que a falta de atratividade da profissão não é apenas uma questão de salários, mas também de condições de trabalho.


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