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Grupo Barraqueiro assume operação ferroviária urbana do Rio de Janeiro

04 março 2026
4min.

A entrada do maior operador privado de mobilidade de Portugal marca uma nova era para o sistema ferroviário metropolitano carioca, que transporta cerca de 300 mil passageiros diariamente numa rede de 270 quilómetros.

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O Consórcio Nova Via Mobilidade, liderado pelo Grupo Barraqueiro, viu confirmada esta quarta-feira a vitória no leilão judicial para assumir a operação dos comboios urbanos do Estado do Rio de Janeiro. O agrupamento, que há cerca de 15 dias tinha sido o único a apresentar proposta nesta licitação, foi agora declarado vencedor pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

O Consórcio Nova Via Mobilidade é composto pelo Grupo Barraqueiro, pela MPE Engenharia — que detém experiência anterior no metro de São Paulo — e pelos fundos de investimento especializados no setor dos transportes Nova Via Fundos de Investimento, Participação e Multiestratégia e Magna Fundo de Investimento e Participações.

O valor estimado do contrato ascende a 660 milhões de reais (aproximadamente 107 milhões de euros ao câmbio atual), tendo o consórcio oferecido um desconto de 0,06% sobre a tarifa de remuneração. O critério de seleção adotado pelo tribunal foi precisamente o do maior desconto oferecido.A empresa deverá assinar o contrato com o Estado do Rio de Janeiro nos próximos dias. Em meados de março, iniciar-se-á um período de gestão conjunta com a SuperVia, a atual concessionária do sistema ferroviário de passageiros, que deverá abandonar definitivamente a operação ao fim de 90 dias de transição.

O contrato inicial terá a duração de cinco anos, com possibilidade de renovação por igual período. O modelo de remuneração sofrerá alterações significativas: em vez do pagamento por passageiro transportado, o novo operador será remunerado com base na quilometragem rodada, uma fórmula que visa incentivar a regularidade e a eficiência operacional.

A concessão à SuperVia teve início em 1998, mas ao longo das últimas décadas a empresa acumulou dificuldades financeiras e operacionais crescentes. Em 2023, a concessionária comunicou oficialmente que não dispunha de condições para manter a operação, precipitando o processo de substituição agora concluído. O sistema ferroviário do Rio de Janeiro atravessa há anos um quadro de deterioração, com falhas frequentes, redução da oferta e perda de confiabilidade. A secretária estadual de Transporte e Mobilidade Urbana, Priscila Sakalem, destacou o compromisso de "recuperar a qualidade do serviço, trazendo mais eficiência, regularidade e dignidade para a população".

A rede ferroviária do Estado do Rio de Janeiro compreende cerca de 270 quilómetros de extensão, distribuídos por cinco ramais e 104 estações, ligando a capital a outros 11 municípios. Atualmente, cerca de 300 mil passageiros utilizam estes comboios diariamente.

O Grupo Barraqueiro está presente no Brasil há mais de 15 anos, com concessões de transporte rodoviário de passageiros nas regiões Norte (Manaus) e Nordeste (Fortaleza). Em Portugal, o grupo de Humberto Pedrosa opera concessões emblemáticas como a Fertagus (linha ferroviária do Sul), Metro do Porto e Metro Sul do Tejo, e já manifestou interesse em participar nos futuros concursos para a subconcessão de serviços ferroviários urbanos da CP. A entrada no mercado ferroviário carioca representa a primeira incursão do grupo na gestão de sistemas metropolitanos de trens no Brasil, num momento em que a empresa prevê alcançar, em 2025, uma faturação de 800 milhões de euros.

Esta operação configura-se como um caso relevante de internacionalização de operadores europeus de mobilidade no mercado ferroviário brasileiro, num contexto de reestruturação dos sistemas de transporte público da maior economia da América Latina. A experiência acumulada pelo Grupo Barraqueiro em concessões ferroviárias e metroviárias em Portugal posiciona-o como parceiro técnico-chave na recuperação operacional do sistema carioca. PR

mp


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