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Greve nos portos pode ser desbloqueada por Medina

03 janeiro 2023
4min.

A opinião é de Serafim Gomes, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Administrações Portuárias (SNTAP)

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Em entrevista ao Eco, o dirigente do sindicato "desligado" da CGTP e da UGT que está a bloquear os portos portugueses, chama o ministro das Finanças às negociações e rejeita culpa nos prejuízos das empresas.

Serafim Gomes sublinha que “o Governo devia ter um bocado mais de consideração com os danos que as empresas estão a sofrer” pela paralisação que vai afetar os principais portos nacionais até ao final de janeiro, embora critique o “exagero” de quem diz que “vai faltar a farinha para o pão ou o milho para as galinhas”. Recusa ser responsabilizado pelos prejuízos e alega que o conflito “só não se resolve por uma questão de caturrice”, advertindo que a tutela do Ministério das Finanças é “decisiva” para resolver o diferendo salarial. Recorde-se que os trabalhadores dos portos estão em greve desde 22 de Dezembro e até ao final deste mês.

Já a Associação dos Agentes de Navegação de Portugal (Agepor) considera, em comunicado, que o retorno das greves aos portos portugueses é um "péssimo sinal" para o setor: "A Agepor vê com grande apreensão o retorno das greves aos portos portugueses", lê-se na mesma nota, que recordou que "recentemente ocorreu uma greve dos pilotos das barras e agora é a vez dos trabalhadores das Administrações Portuárias. São greves com natureza diferente das que foram protagonizadas pelos estivadores - com essencial impacto no porto de Lisboa - durante anos a fio", realçou a entidade, considerando que ainda assim "não deixam de ser um péssimo sinal para os portos".

De acordo com a Agepor, "os armadores internacionais e os armadores nacionais vão ser afetados por estas novas perturbações e corre-se o risco de gradualmente ver os portos portugueses conotados como locais de frequente conflitualidade laboral".

"Sabemos que se vive um momento particular em que a inflação, a alteração das perspetivas económicas, e outros fatores políticos, contribuem para um maior potencial de conflitualidade", destacou a Agepor, reconhecendo que "há algumas matérias em causa que são delicadas e de muito difícil solução" e "que há expectativas a ter em conta".

"Mas o que esperamos é que os diferendos existentes possam ser rapidamente superados", destacou, apelando a "soluções imaginativas".

"Os impactos das greves não são apenas os prejuízos imediatos que causam a muitos, incluindo às partes e a toda a comunidade portuária. Mais do que isso as greves matam o futuro dos portos", lamentou a Agepor.

A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Administrações Portuárias (SNTAP) e abrange os portos do continente, Madeira e Açores. De acordo com o documento enviado ao Governo, secretarias regionais e administrações portuárias, os trabalhadores dos portos do continente e da Madeira vão estar ainda em greve "das 00:00 às 24:00 dos dias 06, 09, 13, 16, 20, 23, 27 e 30 de janeiro".

O sindicato acusa as administrações portuárias de "ausência total de disponibilidade" para dialogar sobre a proposta de revisão salarial para 2023, tendo o SNTAP feito "vários pedidos de reunião" que ficaram sem resposta, "nomeadamente por parte das administrações de Sines e de Lisboa".

Os representantes dos trabalhadores apontam ainda a "subsistência de graves situações" de violação da legislação e do acordo coletivo de trabalho em vigor, incluindo um caso que classifica como "assédio laboral" a um trabalhador do porto de Sines.


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