
No comunicado do Conselho de Ministros pode ler-se que "Foi aprovado o decreto-lei que atribui à APDL - Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, as competências de gestora de infraestruturas no terminal ferroviário de mercadorias de Leixões".
O governo aponta que "o presente diploma reflete mais um passo na integração entre a modalidade ferroviária e marítima no transporte de mercadorias, através da gestão de infraestruturas concentrada na autoridade portuária". Segundo o executivo, a mudança objetiva "a coordenação dos setores" e ultrapassa "constrangimentos de interação técnico-operacional que decorrem do cenário em vigor", em que a Infraestruturas de Portugal (IP) gere o terminal.
Segundo um comunicado enviado pela APDL à Lusa, "neste momento, em Leixões, um contentor que venha pela ferrovia para o transporte marítimo tem que sair da ferrovia, entrar na área urbana, e percorrer os 18 quilómetros que dista a entrada no porto de Leixões".
O Governo refere ainda que promove "o reforço da conexão com o 'hinterland' [território interior] do porto de Leixões, sendo este um fator decisivo para o crescimento da infraestrutura portuária e para o desenvolvimento social do território de influência, favorecendo a sua competitividade e a dos seus clientes".
Já a administração portuária refere que a mudança terá "um impacto positivo a nível económico, social, bem como a criação de mais um passo decisivo rumo à neutralidade carbónica".
O presidente da APDL, Nuno Araújo, considera que a mudança vai permitir "aumentar a cota ferroviária, aumentar as mercadorias movimentadas pelo Porto de Leixões, aumentar as soluções para a cadeia logística (com ganhos evidentes tanto em rapidez como em competências), e diminuir a pegada ambiental". O responsável lembrou a "a Estratégia para a Mobilidade Sustentável e Inteligente (da União Europeia) que prevê a duplicação do transporte ferroviário de mercadorias e triplicação do número de passageiros em alta velocidade".
A APDL aponta que a mudança na gestão da infraestrutura ocorrerá no primeiro dia útil após decorrerem seis meses da promulgação (se favorável) do diploma, que ainda terá de ser publicado em Diário da República.
A 29 de outubro de 2021, em Cascais, o presidente da APDL, Nuno Araújo, disse que "de certeza absoluta" que em 2022 o terminal ferroviário da IP em Leixões seria integrado na estrutura portuária. Além do terminal de Leixões, este ano a gestão do terminal ferroviário de mercadorias da Guarda vai também passar da IP para a APDL.