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Grupo Alves Bandeira: Meio século de história e inovação

09 março 2026

Há 50 anos, nascia uma história de coragem, trabalho e visão empreendedora em Portugal. O Grupo Alves Bandeira transformou-se de um pequeno posto de combustível numa das maiores referências do setor energético e empresarial do país, mantendo sempre viva a filosofia de gestão do seu fundador.

O cinquentenário do Grupo Alves Bandeira é, acima de tudo, a celebração de uma história profundamente humana. Uma história que começou muito antes da empresa nascer, quando um menino de 12 anos, Cassiano Alves Bandeira, deixou os estudos para ajudar o pai na carpintaria. Da infância humilde à partida solitária para Lisboa aos 17 anos, onde trabalhou incansavelmente nos melhores restaurantes da cidade, Cassiano transportou sempre consigo a convicção de que o trabalho, a ética e a proximidade eram caminhos seguros para construir algo maior. Em 1958, ainda com 26 anos, deu o passo que mudaria para sempre o seu destino: inaugurou o seu primeiro posto de combustível, em Góis. Era o início de um legado que hoje ultrapassa gerações. Cinquenta anos depois, esses valores continuam vivos em cada colaborador e em cada empresa que carrega o seu nome. Nesta entrevista, Pedro Bandeira, administrador do grupo revisita o percurso do fundador, evoca os marcos que sustentaram décadas de crescimento e partilha a visão de futuro que mantém a alma de Cassiano tão presente quanto no primeiro dia.

ASede Grupo Alves Bandeira

O Grupo Alves Bandeira comemora 50 anos de história. Quais foram os marcos mais importantes que contribuíram para o seu sucesso e expansão ao longo destas décadas?

Pedro Bandeira: Celebrar 50 anos é, por si só, um marco extraordinário. Quando olhamos para o caminho percorrido, identificamos vários momentos decisivos para o crescimento do Grupo, mas mais do que episódios isolados, há três dimensões que sempre caminharam connosco.
A primeira são as pessoas — colaboradores, parceiros e clientes — que nos têm acompanhado desde o início. A segunda são os valores fundadores que nos orientam há cinco décadas: proximidade, foco no cliente, trabalho, flexibilidade e dinamismo. E a terceira é a nossa cultura organizacional, onde a palavra “família” continua a ser a que melhor nos define.
Foi esta combinação que nos permitiu consolidar uma posição entre os 50 maiores grupos económicos portugueses e construir uma trajetória de crescimento sustentado.

Quais são os valores centrais que a empresa familiar tem mantido ao longo do tempo e que impacto tiveram no crescimento do Grupo?

Para além dos valores já referidos, há princípios que moldam profundamente a nossa forma de estar: confiança, integridade e compromisso. Hoje fala-se muito em foco no cliente, personalização ou novas tecnologias — temas nos quais também investimos com convicção. Mas esta mentalidade sempre fez parte do nosso ADN. Muito antes da automação ou da inteligência artificial, já trabalhávamos de forma próxima, humana e altamente personalizada. Esta cultura de proximidade permitiu-nos conquistar a confiança do mercado, criar relações longas e atrair talento. Temos a certeza de que foi a fidelidade aos nossos princípios que nos permitiu crescer de forma sólida e construir uma cultura que valoriza tanto os resultados quanto as pessoas.

netPosto Alves Bandeira Albergaria-a-Velha

Como surgiu a diversificação para os setores dos combustíveis, pneus e produtos químicos? De que forma estas áreas se complementam?

A diversificação surgiu de forma natural, acompanhando a evolução do mercado e a nossa ambição de oferecer soluções completas — aquilo a que chamamos “soluções 360º”. O setor dos combustíveis, a retalho e a granel, foi a base que nos permitiu expandir para o negócio os pneus, reforçando a relação com clientes e parceiros. Já os lubrificantes — especialmente através da marca própria AB Lubs — surgiram como complemento estratégico, aproveitando sinergias comerciais e logísticas.

Hoje, estas áreas funcionam de forma integrada e reforçam-se mutuamente, criando valor e fortalecendo a nossa proposta global, à qual se juntam ainda a mobilidade elétrica, a comercialização de eletricidade, o gás natural e o GPL para empresas e indústria.

NetLoja Bluemarket_12

Como é que o Grupo tem acompanhado as novas tecnologias e tendências globais, sobretudo no que toca à sustentabilidade?

O nosso modelo de gestão privilegia a integração das empresas, a partilha de conhecimento e a otimização de recursos. Esta complementaridade torna-nos mais eficientes e permite-nos oferecer um serviço mais completo e competitivo. A inovação é um motor essencial da nossa estratégia. Investimos continuamente em tecnologia para melhorar processos, aumentar eficiência e reforçar a sustentabilidade.

No que toca à sustentabilidade, o nosso compromisso é antigo e estruturado. É verdade que hoje a atenção está concentrada sobretudo na dimensão ambiental, na qual investimos há muitos anos, muito antes dos grandes pactos internacionais. Mas para nós, a sustentabilidade é necessariamente tridimensional: ambiental, social e económica — e é nesta visão integrada que baseamos as nossas decisões.

netLoja Bluemarket_10

Como vê a evolução do mercado dos combustíveis e do setor energético? E qual o papel da Alves Bandeira, Petroibérica e EZU neste cenário?

O setor energético vive uma transformação profunda, marcada pela procura de soluções mais limpas. Acompanhamos esta mudança com naturalidade e entusiasmo — não nos intimida, responsabiliza-nos. O que nos preocupa não é a transição energética, mas sim o debate por vezes reduzido à oposição combustíveis fósseis vs. eletricidade. O verdadeiro objetivo deve ser um só: reduzir emissões.

Acreditamos que o futuro será construído com um mix energético equilibrado, onde convivem eletricidade, (bio)combustíveis, hidrogénio e novas soluções que ainda irão surgir. O setor dos transportes já é hoje mais eficiente e continuará a evoluir, com biocombustíveis e combustíveis sintéticos a ganharem relevância.

O papel da Alves Bandeira, Petroibérica e EZU Energia é continuar a garantir uma distribuição eficiente e responsável de energia — seja combustíveis, eletricidade, gás natural ou GPL. É também por isso que expandimos a nossa rede e que estabelecemos uma parceria com a REMO, do Grupo Mota--Engil, para instalar mais de 200 carregadores ultrarrápidos em Portugal.

Quais são os maiores desafios e oportunidades nas áreas onde o Grupo atua?

O maior desafio é a falta de previsibilidade das políticas económicas, ambientais e regulatórias, que dificultam o planeamento estratégico e o investimento a longo prazo. Por outro lado, surgem oportunidades claras na digitalização, na transição energética, no rescimento da mobilidade elétrica e na procura de soluções mais eficientes. A nossa visão otimista resulta da experiência acumulada ao longo de cinco décadas e da fidelidade aos nossos valores. Já atravessámos vários ciclos e transformações, e esse conhecimento dá-nos confiança para decidir e investir com responsabilidade.

Quais são os planos para os próximos cinco a dez anos? Continuar a diversificar ou focar-se num setor específico?

Nos próximos anos queremos consolidar e reforçar a presença nos setores onde já somos fortes: mobilidade, energia, conveniência, onde as nossas novas lojas Bluemarket são hoje uma verdadeira referência do setor, pneus, lubrificantes, gás natural, GPL, betumes asfálticos e construção — especialmente na área de pavimentação e obras públicas. A diversificação continuará a ser estratégica, mas sempre com foco na complementaridade e na criação de valor para clientes, colaboradores e comunidades.

Formação Profissional Colaboradores_3

Como está a ser preparada a transição de liderança entre gerações?

A sucessão é um tema que tratamos com responsabilidade e visão de longo prazo. Trabalhamos para que o processo seja natural, estruturado e alinhado com os valores que nos trouxeram até aqui. O processo envolve a família acionista, mas também integra outros líderes da “grande família” que é o Grupo Alves Bandeira. Queremos garantir que o Grupo mantém solidez, dinamismo e uma cultura colaborativa que atravessa gerações.

Que impacto tem o Grupo nas comunidades onde atua e que iniciativas de responsabilidade social têm sido desenvolvidas?

A responsabilidade social faz parte da identidade da empresa desde a sua fundação e tem-se traduzido num compromisso contínuo com o desenvolvimento das comunidades onde está presente — seja através da criação de emprego, da dinamização económica ou de iniciativas nas áreas da educação, do desporto, da cultura e do ambiente. Entre essas iniciativas destaca-se o Albi Escolas, que todos os anos promove mais de 200 ações gratuitas dedicadas à economia circular, reciclagem, segurança rodoviária e fontes de energia para a mobilidade.

Complementa-o o Albi Solidário, que recolhe bens e os disponibiliza gratuitamente a colaboradores, associações e comunidades, reforçando a equidade social. Já o programa de Combate à Pobreza Energética, desenvolvido em parceria com o Crédito Agrícola e a Associação Just a Change, apoia instituições e famílias através da renovação de habitações e espaços comuns, contando com o envolvimento de colaboradores em ações de voluntariado. A estas iniciativas junta-se ainda a oferta de canais de subscrição ao Hospital Pediátrico de Coimbra, desenvolvida com a Associação Pedrinhas, que procura tornar mais leves os dias das crianças internadas. Por fim, gostaria ainda de realçar o nosso apoio constante aos Bombeiros, por quem temos uma admiração especial, incutida desde cedo pelo meu Pai, o qual chegou inclusive a integrar a Corporação de Góis como voluntário. Mais do que cumprir uma obrigação, todas estas ações representam uma extensão natural dos valores de proximidade, responsabilidade e integridade que orientam a empresa. EdeC

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