Atualidade
29 julho 2026

Veículos comerciais crescem na Europa no primeiro semestre

O mercado europeu de veículos comerciais encerrou o primeiro semestre de 2026 com resultados positivos nos três principais segmentos. Entre janeiro e junho, as matrículas de veículos comerciais ligeiros aumentaram 1,9%, enquanto os pesados de mercadorias cresceram 9,8% e os autocarros avançaram 22,7%.

Os dados constam do mais recente relatório da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), elaborado a partir da informação agregada das associações automóveis nacionais, dos seus membros e da S&P Global Mobility.



Apesar da instabilidade geopolítica, foram matriculados 742 759 veículos comerciais ligeiros na União Europeia. A evolução foi desigual entre os principais mercados: Espanha cresceu 7,9%, enquanto Alemanha, Itália e França recuaram 4,6%, 4,7% e 2,1%, respetivamente.

Portugal contrariou as quebras observadas em alguns dos maiores mercados europeus. As 16 669 unidades matriculadas representaram um aumento de 5,8% face ao primeiro semestre de 2025.

Pesados recuperam com apoio da procura

O mercado de veículos pesados de mercadorias alcançou 171 933 matrículas, mais 9,8% do que no período homólogo. O crescimento foi sustentado sobretudo pelos veículos com mais de 16 toneladas, cujas matrículas subiram 11,1%. Nos pesados médios, entre 3,5 e 16 toneladas, o aumento ficou nos 2,8%.

A Polónia apresentou a progressão mais forte entre os grandes mercados, com 25,9%, seguida de Espanha, com 13,2%, e da Alemanha, com 7,1%. França manteve-se praticamente ao nível do ano anterior.

Em Portugal foram matriculados 3278 veículos pesados de mercadorias, um crescimento de 25,6%. Nos modelos com mais de 16 toneladas, a subida atingiu 26,3%, para 2970 unidades.

Autocarros lideram crescimento

Os autocarros registaram a evolução mais acentuada do mercado europeu. As 22 590 novas matrículas traduzem um aumento de 22,7% face aos primeiros seis meses de 2025.

Itália passou a ser o maior mercado da União Europeia, após crescer 51,6%. Alemanha e França avançaram ambas 21,6%, enquanto a Polónia aumentou 78% e se tornou o quarto maior mercado europeu. Espanha foi o único dos principais mercados a recuar, com uma quebra de 8,5%.

Portugal acompanhou a tendência de expansão. O mercado nacional cresceu 49,7%, de 612 para 916 autocarros matriculados.

Eletrificação avança, mas continua abaixo do necessário

Os veículos com carregamento elétrico reforçaram a sua presença, embora a ACEA considere que o ritmo de adoção permanece aquém do necessário, sobretudo nos segmentos pesados. A associação aponta a insuficiência das condições de suporte, incluindo as infraestruturas, como um dos principais obstáculos.

Nos comerciais ligeiros, as matrículas de modelos elétricos a bateria e híbridos plug-in cresceram 41,6%, alcançando uma quota de 13,2%. O gasóleo manteve a liderança, mas perdeu terreno: representou 79,1% do mercado, contra 82% no primeiro semestre de 2025.

Portugal registou 3286 comerciais ligeiros com carregamento elétrico, mais 111,3% do que no período homólogo. Em sentido contrário, as matrículas de versões a gasóleo diminuíram 6,4%.

Nos pesados de mercadorias, o crescimento dos modelos recarregáveis atingiu 47,7%, mas a sua quota permaneceu limitada a 4,8%. O gasóleo continuou a representar 92,1% das matrículas. Alemanha, Países Baixos e França concentraram 74% de todos os pesados recarregáveis matriculados na União Europeia.

A transformação foi mais evidente nos autocarros. As matrículas de modelos com carregamento elétrico aumentaram 56,8% e passaram a representar 27,7% do mercado europeu. Em Portugal, subiram de 33 para 515 unidades, um crescimento de 1460,6%, que explica uma parte substancial da expansão do segmento nacional.

Os números da ACEA mostram um mercado europeu em recuperação, mas também uma transição energética a velocidades distintas. A eletrificação ganha expressão nos comerciais ligeiros e nos autocarros, enquanto nos pesados de mercadorias continua condicionada pela reduzida escala do mercado e pelas exigências operacionais das frotas.

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