Atualidade
04 maio 2026

Mercado europeu de comerciais cresce, mas transição ainda lenta

O mercado europeu de veículos comerciais registou um início de 2026 globalmente positivo, ainda que marcado por dinâmicas distintas entre segmentos. Segundo os dados divulgados pela ACEA (Associação Europeia dos Fabricantes de Automóveis), no primeiro trimestre foram detetados sinais de recuperação em algumas áreas, enquanto outras continuam a refletir a pressão de um contexto económico e regulatório em transição.

No que diz respeito aos furgões, o crescimento foi moderado, com um aumento de 2,3% nos novos registos na União Europeia. O desempenho foi desigual entre os principais mercados: Espanha destacou-se com uma subida de 13%, seguida de França (+3,7%), enquanto Alemanha (-9%) e Itália (-1,7%) registaram recuos. Trata-se de um retrato de um segmento que recupera gradualmente, mas que ainda está longe de uma trajetória homogénea.

O desempenho dos camiões foi mais expressivo, com um crescimento de 10,7%, totalizando 81.766 unidades. O crescimento foi impulsionado sobretudo pelos veículos pesados, com um aumento de 12,6%, enquanto os veículos médios registaram um avanço mais moderado, com um aumento de 0,7%. A Polónia (+32,8%) e a Espanha (+17,1%) lideraram o crescimento entre os principais mercados, acompanhadas pela Alemanha (+6,9%). Em contraste, França registou uma ligeira quebra de 1,4%, evidenciando a volatilidade que ainda assola o setor.

No setor dos autocarros, o início do ano foi notavelmente robusto. Os registos ascenderam 24,5%, atingindo 10.964 unidades, com a Alemanha a liderar o crescimento (+34,7%), seguida da Itália (+23,7%) e de França (+22%). Espanha registou uma quebra de 6,2%, enquanto a Polónia surpreendeu com um aumento expressivo de 62,6%, demonstrando a vitalidade de alguns mercados emergentes dentro da União Europeia.

No âmbito da energia e da transição tecnológica, a ACEA destaca uma evolução notória, embora ainda insuficiente para atender às ambições europeias. No segmento dos furgões, o diesel mantém a liderança com 80% do mercado, apesar de uma ligeira descida. Em contrapartida, os veículos elétricos registaram um crescimento de 42%, alcançando uma quota de mercado de 12%, o que indica uma mudança consistente, ainda que gradual.

Relativamente à frota de camiões, o gasóleo mantém-se como o combustível predominante, representando 92,4% dos registos. Ainda assim, os modelos eletrificados registaram um aumento de 40,1%, atingindo 4,4% de quota de mercado, com destaque para França e Alemanha, que lideram a adoção desta tecnologia.

Já no que diz respeito ao setor dos autocarros, a transição é mais visível: os modelos elétricos registaram um crescimento de 36%, representando atualmente 21,8% do mercado. A Itália destacou-se com um crescimento particularmente expressivo, refletindo uma aceleração clara na eletrificação do transporte coletivo urbano.

Apesar da evolução positiva verificada em vários indicadores, a ACEA chama a atenção para um ponto central: a transição energética progride, mas ainda não ao ritmo necessário. O mercado apresenta sinais de crescimento e adaptação, contudo, permanece condicionado por infraestruturas, custos e enquadramento regulatório. Estes fatores determinarão o verdadeiro ritmo da mudança nos próximos anos.

Em Portugal, o mercado manteve-se em linha com o período homólogo de 2025, sem oscilações significativas no desempenho global. Ainda assim, registou-se uma ligeira subida nos segmentos de camiões e autocarros, enquanto as vendas de furgões apresentaram uma pequena descida, refletindo um comportamento estável, mas ligeiramente assimétrico entre categorias. (Fonte ACEA)

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