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A descarbonização da logística portuguesa em destaque

02 março 2026
7min.

A GS1 Portugal promoveu, no dia 25 de fevereiro, o Lean & Green Summit 2026, um evento que reuniu a cerimónia de entrega de prémios do programa com um conjunto de debates centrados na sustentabilidade na cadeia logística e de transporte.

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No âmbito do programa Lean & Green — a maior plataforma europeia de colaboração para a redução das emissões de CO₂ associadas às operações logísticas e de transporte — a GS1 Portugal reuniu especialistas, empresas e stakeholders no seu campus do Lumiar, em Lisboa, para uma manhã dedicada à transição energética e à descarbonização do setor.

O encontro contou com a presença de Paulo Gomes (Diretor-Geral da GS1 Portugal), Ana Cristina Carrola (Agência Portuguesa do Ambiente), Bruno Veloso (ADENE) e Ana Teresa Perez (Agência para o Clima), proporcionando um enquadramento técnico e político sobre os atuais desafios climáticos. A agenda integrou ainda contributos internacionais de Bárbara Ferrer Marrades (AECOC) e Nico Anten (Connekt), além da partilha de boas práticas por parte das empresas distinguidas.

Programa Lean & Green: metodologia e impacto

Em declarações à Eurotransporte, Marta Résio, Diretora de Sustentabilidade, Marketing e Comunicação da GS1 Portugal, explicou os fundamentos da iniciativa:

“O Lean & Green é um programa internacional que a GS1 Portugal trouxe para Portugal em 2018 e que tem como objetivo promover a redução das emissões de dióxido de carbono, especificamente nas operações logísticas e de transporte.”

A metodologia exige que cada participante apresente um plano de ação comprometendo-se com uma redução mínima de 20% das emissões. Após auditoria independente — realizada em Portugal pelo Bureau Veritas ou pela SGS — as empresas obtêm a primeira estrela, podendo evoluir até um máximo de cinco estrelas, correspondentes a níveis sucessivos de descarbonização até à neutralidade carbónica.

Segundo Marta Résio, as mais-valias vão além da certificação:

“Dispor de uma equipa e integrar um ecossistema de parceiros com quem se pode aprender e inspirar. Todos partilham o mesmo objetivo comum, independentemente do setor de atividade.”

A responsável destacou ainda a importância do trabalho colaborativo, permitindo que produtores, distribuidores e transportadoras alinhem metas e desenvolvam planos de ação coordenados.

Atualmente, o programa integra 35 empresas em Portugal, tendo registado a adesão de mais seis organizações em 2024.

Entrega de Prémios 2025: as empresas distinguidas

A cerimónia reconheceu dez empresas que, através de compromisso voluntário e auditoria rigorosa, alcançaram metas significativas de redução de emissões. As distinções distribuíram-se por três níveis de certificação:

⭐ 1 Estrela (redução superior a 20%)

  • Zolve – Especializada em logística e transporte de produtos alimentares perecíveis, implementou medidas como gestão eficiente de frota, utilização de energias renováveis e reestruturação do sistema de frio.

  • Recheio – Empresa da distribuição alimentar com projetos de eficiência energética e mobilidade elétrica, incluindo iniciativas de carregamento para veículos elétricos.

  • ID Logistics – Operador logístico internacional presente em Portugal, com foco em eficiência operacional e otimização de processos.

⭐⭐ 2 Estrelas (redução superior a 30%)

  • Terra Alegre – Empresa do grupo Jerónimo Martins Agro-Alimentar, com forte aposta em embalamento sustentável e eficiência logística.

  • O Melro – Destacou-se pelo contributo consistente para a descarbonização das operações de transporte.

⭐⭐⭐ 3 Estrelas (redução superior a 35%)

  • Santos e Vale – Primeiro operador logístico português a alcançar a terceira estrela Lean & Green.

Caso de Sucesso: Santos e Vale

A Santos e Vale apresentou as estratégias que permitiram alcançar uma redução superior a 35% das emissões no âmbito logístico.

Em entrevista à Eurotransporte, João Rocha, em representação da empresa, detalhou um plano estruturado em várias vertentes:

1. Estratégia de digitalização
Implementação de algoritmos de otimização de rotas, reduzindo quilómetros percorridos e transporte em vazio.

2. Formação em condução eficiente
Capacitação contínua dos motoristas, com monitorização e controlo de práticas de eco-condução.

3. Autoprodução de energia
Instalação de painéis solares nas 27 plataformas nacionais, com especial atenção ao isolamento e eficiência energética das infraestruturas.

4. Renovação de frota
Investimento contínuo em veículos elétricos, camiões a gás natural liquefeito (GNL) para longas distâncias e veículos euro-modulares (EMS), que permitem transportar maior volume com o mesmo consumo relativo.

5. Visão integrada de sustentabilidade
A sustentabilidade é encarada de forma transversal, integrando dimensão ambiental, eficiência operacional e solidez financeira.

Relativamente ao financiamento, João Rocha confirmou que os investimentos têm sido realizados maioritariamente com capitais próprios, mantendo-se a empresa aberta a parcerias para projetos-piloto.

Outras empresas distinguidas

A cerimónia reconheceu ainda:

  • Brasmar – Grupo especializado em produtos do mar, com certificações MSC e ASC, além de ISO 14001 e ISO 45001, tendo implementado medidas de redução do consumo energético e hídrico por tonelada produzida.

  • Broliveira – Transportadora internacional que renovou a frota para motores Euro VI e reforçou sistemas de eco-driving e otimização de rotas, alcançando três estrelas.

  • BEL – Grupo com presença em várias áreas da logística e distribuição, com forte enfoque em eficiência operacional.

  • Carreras – Grupo logístico espanhol com forte aposta na transformação digital, segurança informática e sustentabilidade.

Coordenado internacionalmente e implementado em Portugal pela GS1 Portugal desde 2018, o programa Lean & Green afirma-se como uma referência na aceleração da descarbonização logística a nível europeu.

Num contexto em que o setor dos transportes e da logística representa uma parcela significativa das emissões nacionais, as dez empresas distinguidas demonstram que a transição para uma economia de baixo carbono é não só possível, como estrategicamente vantajosa. A sustentabilidade deixa, assim, de ser apenas uma obrigação regulatória para assumir um papel central na competitividade das empresas portuguesas.


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