
Uma infraestrutura deficiente da cadeia de frio pode ser responsável por até 620 milhões de toneladas de perdas alimentares, ou 1,8 gigatoneladas de CO₂ equivalente por ano. Cerca de 4% das emissões globais de gases com efeito de estufa (GEE) são atribuíveis à cadeia de frio, evidenciando a urgência de uma abordagem mais sustentável na conservação e transporte de bens perecíveis. Embora reduzir perdas e desperdício alimentar seja crucial, o foco principal deve estar na descarbonização da própria cadeia de frio. Ao priorizar a redução das emissões associadas à eletricidade, combustíveis e refrigerantes, é possível avançar de forma significativa para um sistema alimentar mais sustentável.
A cadeia de frio desempenha um papel vital na garantia da segurança e qualidade dos alimentos, mas o consumo energético e as emissões associadas constituem um desafio relevante. Com o crescimento da procura por produtos frescos e congelados, torna-se imperativo minimizar o impacto ambiental deste sistema.
Aproveitar o poder da inovação
Uma área-chave de inovação é o desenvolvimento de soluções de refrigeração de transporte eletrificadas. A Trane Technologies, inovadora global em clima, e a sua marca Thermo King, líder em sistemas sustentáveis de controlo de temperatura no transporte, desenvolveram o AxlePower. Esta tecnologia inovadora para unidades de refrigeração de reboques recupera energia durante a travagem ou descidas, armazena-a em baterias e reutiliza-a para alimentar o sistema de refrigeração, sem impactar o consumo de combustível do camião. Já disponível para compra ou aluguer, permite reduzir custos operacionais e oferece uma solução sustentável para a cadeia de frio.
As tecnologias digitais desempenham também um papel determinante na otimização dos processos e na redução de emissões. Sistemas avançados de telemática e monitorização proporcionam visibilidade em tempo real sobre toda a cadeia de frio, permitindo identificar e resolver rapidamente ineficiências que geram desperdício energético. A utilização de dados possibilita simplificar processos, eliminar ineficiências e reduzir a pegada carbónica.
A Trane Technologies está na linha da frente na resposta a estes desafios, comprometida com os seus objetivos de sustentabilidade para 2030, incluindo o Gigaton Challenge, que visa reduzir em mil milhões de toneladas métricas as emissões de GEE dos clientes até 2030 — o equivalente a 2% das emissões globais anuais.
Quadros políticos como catalisador
A redução de perdas e desperdício alimentar exige políticas adequadas. A União Europeia desempenha um papel fundamental: a revisão da Diretiva-Quadro dos Resíduos estabelece metas juridicamente vinculativas para redução do desperdício alimentar até 2030.
A eletrificação da cadeia de frio e da refrigeração no transporte requer também ajustamentos regulatórios. O peso adicional dos equipamentos eletrificados não deve ser contabilizado no peso total do veículo, evitando penalizar operadores que, de outra forma, teriam de reduzir a carga útil. Além disso, os sistemas de refrigeração eletrificados devem ser abrangidos pelos regimes de incentivos disponíveis nos Estados-Membros para veículos elétricos ligeiros e pesados. Um enquadramento favorável poderá permitir à UE eliminar mais de 10 milhões de toneladas de CO₂ emitidas anualmente apenas por sistemas de refrigeração no transporte.
Medir o progresso e impulsionar a mudança
Para avaliar o impacto das iniciativas de descarbonização, é essencial medir a redução de emissões. Indicadores normalizados, como a diminuição de emissões associadas à eletricidade, combustíveis e refrigerantes, oferecem uma visão clara dos progressos alcançados. A monitorização e o reporte regulares são fundamentais para promover transparência, comparação e melhoria contínua.
A colaboração é igualmente determinante. Governos, indústria e consumidores devem atuar em conjunto para acelerar a transição para um sistema de baixas emissões. Políticas públicas, incentivos financeiros e campanhas de sensibilização podem impulsionar a adoção de tecnologias sustentáveis, enquanto parcerias intersetoriais permitem soluções integradas ao longo de toda a cadeia alimentar, do produtor ao consumidor.
Equilibrar sustentabilidade e viabilidade económica
A descarbonização da cadeia de frio é não só uma necessidade ambiental, mas também uma estratégia economicamente sólida. Soluções energeticamente eficientes reduzem custos operacionais, melhoram o desempenho e reforçam a competitividade. Ainda assim, a transição exige uma análise cuidada dos impactos económicos, sendo essencial equilibrar objetivos ambientais com a acessibilidade dos alimentos.
Uma abordagem promissora passa pela adoção de princípios de economia circular, desenvolvendo produtos e processos que minimizem desperdícios, maximizem a eficiência dos recursos e promovam a reutilização e reciclagem de materiais.
O caminho a seguir
Descarbonizar a cadeia de frio alimentar é um passo complexo, mas indispensável, rumo a um sistema alimentar sustentável — justo para as pessoas e para o planeta.
O percurso apresenta desafios, mas com as estratégias, tecnologias e parcerias certas, é possível superá-los e construir um futuro resiliente. Esta transição exige melhoria contínua, capacidade de adaptação e compromisso. É um caminho exigente, mas inevitável. O momento de agir é agora.